domingo, 31 de agosto de 2008

sábado, 30 de agosto de 2008

Dança do dragão 舞龍


Dança do dragão


Dança do dragão (chinês simplificado: 舞龙; Chinês Tradicional: 舞龍 ; Pinyin: wu long) é uma forma de dança e de espetáculo tradicionais na cultura chinesa. Como a dança do leão vê-se mais freqüentemente em celebrações festivas. Os chineses freqüentemente usam o termo "Descendentes do Dragão” (龍的傳人 ou 龙的传人, lóng de chuán rén) como um sinal de identidade étnica.
Em ocasiões de bom augúrio, incluindo o ano novo chinês, abertura das lojas e residências, os festivais incluem freqüentemente dança com fantoches de dragão. Estes fantoches são feitos "sob medida" de pano e madeira e manipulados por uma equipe de pessoas. Elas carregam o dragão com varas no centro de atração e executam movimentos coreografados ao acompanhamento de tambor e música. Os dançarinos levantam, mergulham, empurram, e movem a cabeça, que pode conter as características animadas controladas por um dançarino e às vezes é equipada para soltar o fumo dos dispositivos pirotécnicos. A equipe de dança imita os supostos movimentos deste espírito do rio em uma maneira sinuosa, ondulada. Os movimentos tradicionais no espetáculo simbolizam papeis históricos dos dragões que demonstram o poder e a dignidade. A dança do dragão é um destaque das celebrações Ano Novo Chinês espalhado pelo mundo inteiro em bairro chineses.
Acredita-se que os dragões trazem boa sorte as pessoas, que é refletida em suas qualidades que incluem o poder, a dignidade, a fertilidade, a sabedoria e o bom augúrio . A aparência de um dragão é assustadora e audaciosa mas tem uma disposição benevolente, e se transformou algumas vezes então num emblema para representar a autoridade imperial.
História
A Dança do Dragão foi originada durante a Dinastia Han e começou pelo chinês que mostrou grande respeito para o dragão chinês. Acredita-se tenha começado a fazer parte da cultura para o cultivo e colheita, também com as origens como método de cura e de impedir a doença. Era um evento popular durante a Dinastia Song onde se tinha virado uma atividade popular e, como a Dança do Leão, era mais frequentemente vista em celebrações festivas.
De suas origens em combinar mistura de animais naturais, o dragão chinês evoluído para assentar bem em uma criatura mítica honrada na cultura chinesa. Sua forma física é uma combinação de muitos animais, incluindo os chifres de veado, de orelhas de touro, de olhos de coelho, de garras de tigre e das escamas de peixe, tudo no corpo de uma serpente longa. Com estes traços, acreditou-se que os dragões eram anfíbios com a habilidade de se mover na terra, para voar e a nadar no mar, reger os papéis de reguladores da nuvem, da chuva e do tempo. Pelo dragão dar as pessoas um sentimento do grande respeito, é chamado frequentemente de Dragão sagrado. Os imperadores da China antiga se consideraram como dragões. O dragão também é o emblema da autoridade imperial. Ele simboliza o poder sobrenatural, a benevolência, a fertilidade, a vigilância e a dignidade.
A Dança do Dragão é importante na cultura e tradição chinesas e se espalhou por toda a China e pelo mundo inteiro. Virou um espetáculo artístico especial nas atividades físicas chinesas. Simboliza trazer boa sorte e prosperidade no ano vindouro a para todos os seres humanos na Terra. De acordo com a antiga história, durante o período de Chun Chiu, a aprendizagem de Artes Marciais Chinesas era muito popular e no tempo extra, a dança do dragão era ensinada também aos estudantes para dar mais incentivo.
Na Dinastia Qing, a equipe da Dança do Dragão da província de Foochow tinha sido convidada a se apresentar em Pequim e foi extremamente elogiada e admirada pelo imperados Ching, que ganhou grande fama para a equipe.
Espetáculo
A Dança do Dragão é executada por uma hábil equipe cujo trabalho é dar vida ao dragão. O próprio dragão é uma longa serpente com um corpo formado de varas, montados juntos uma série de arcos em cada parte e unindo a parte ornamental da cabeça e da cauda nas extremidades. Tradicionalmente, os dragões eram construídos de madeira com os arcos de bambu no interior e cobertos com uma tela decorada. Porém, na atualidade, tais materiais como alumínio e plásticos substituíram a madeira e o material pesado.
Os dragões podem variar no comprimento em cerca de 25 a 35 metros, para os modelos mais acrobáticos, e mais de 50 a 70 metros para o maior, parada e os estilos cerimoniais, já que parte do mito do dragão é que quanto mais longa é a criatura, mais sorte trará. O tamanho e o comprimento de um dragão dependem do poder humano disponível, do poder financeiro, dos materiais, das habilidades e do tamanho do campo. Seu comprimento tradicional varia entre 9 seções e 15 seções no tamanho, embora alguns dragões sejam tão longo quanto 46 seções.
Uma pequena organização não consegue operar um dragão muito longo porque exige grande esforço físico, grandes despesas e as habilidades especiais que são difíceis de controlar. O tamanho (comprimento) recomendado para o corpo do dragão é 112 pés (34 metros) e há uma divisão em 9 seções principais. A distância entre cada seção menor (costela) é de 14 polegadas (aproximadamente 35 cm); conseqüentemente, o corpo tem 81 anéis. A história nos conta que a dança do dragão é executada de várias maneiras, tipos e cores. Às vezes o verde é escolhido como cor principal do dragão, que simboliza uma grande colheita. Outras cores incluem: amarelo, simbolizando as cores solenes do império; dourado ou prata, simbolizando prosperidade; vermelho, representando o excitamento. As escamas e cauda são principalmente prateadas e resplandecentes, contribuindo para uma atmosfera alegre. Como a dança do Dragão não é executada todo dia, o pano do dragão deve ser removido para receber um novo retoque antes do próximo espetáculo.
A correta combinação e sincronismo apropriado das diferentes partes do dragão são muito importantes para fazer uma dança bem sucedida. Quaisquer erros cometidos pelos dançarinos estragam todo o espetáculo. Para ser muito bem sucedida na dança, a cabeça do dragão deve cooperar com o corpo de acordo com as batidas do tambor. Para dragões maiores do estilo cerimonial e parada, a cabeça pode pesar até 12 katis (14,4 kg). A cauda do dragão também desempenha um papel importante porque deve manter-se em sincronismo com os movimentos da cabeça. A quinta seção é considerada ser a parcela média e os dançarinos devem estar muito alertas às mudanças de movimento do corpo a cada momento.
Na exibição competitiva, entretanto, há regras estritas que regem as especificações do corpo do dragão e dos passos apresentados. Então dragões feitos para estes eventos e que são vistos na maior parte nos shows impressivos do palco são feitos para a velocidade e a agilidade, para serem usados pela equipe de dançarinos para um maior grau de dificuldade dos passos. Nestes dragões, a cabeça é menor e clara o bastante para ser enrolada em volta, e deve ser um mínimo de 3 kg, as partes do corpo são de alumínio claro com bastão e a maioria dos arcos é tubulação muito fina de PVC. As apresentações são feitas tradicionalmente em 8-10 passos minutos acompanhando a percussão.
Os arranjos da Dança do Dragão são coreografados de acordo com as habilidades e as experiências adquiridas pelos dançarinos. Alguns arranjos da Dança do Dragão são "caverna de nuvem", "redemoinho de água", Tai-Chi, "costurando dinheiro", "procurando a pérola", e o "dragão que circundar a coluna". O movimento "dragão que persegue a pérola" mostra que o dragão está continuamente em busca da sabedoria.
O dragão move-se em um movimento ondulatório balançando coordenadamente cada parte. Embora este balanço constitua o movimento básico do dragão, executar formações mais complexas depende somente da criatividade de uma equipe. Os movimentos que são executados geralmente envolvem enrolar o corpo do dragão, girando ele. Isto faz com que os dançarinos saltem levantem partes do corpo do dragão, mostrando-as. Outras manobras avançadas incluem várias contorcidas giratórias e movimentos mais acrobáticos onde os dançarinos aumentam a altura dos movimentos do dragão.
Apresentar uma equipe de Dança do Dragão envolve diversos elementos e habilidades; é uma atividade que combina treinamento, mentalidade de uma equipe esportiva, encenação e talento de uma equipe de artistas. As habilidades básicas são simples de aprender, porém virar um dançarino competente exige treinamento dedicado até que os movimentos se transformem complexos possam ser conseguidos - que não dependem apenas da habilidade individual, mas da concentração da equipe inteira para se mover.

domingo, 24 de agosto de 2008

Sanshou (散手)


Sanshou (散手)


Sanshou (散手), que pode ser traduzido literalmente como "mãos livres", ou Sanda (散打), que pode ser traduzido literalmente como "luta livre", é uma forma chinesa moderna de combate mão-a-mão, um sistema de auto-defesa, e um esporte de combate.
Não é considerado um estilo de luta independente, mas um dos componentes das diversas modalidades de arte marcial chinesa, normalmente ensinado integrado às diversas
formas de wushu. O termo Sanda é mais antigo e de uso mais comum, quando o governo chinês formalizou e padronizou as artes marciais usou oficialmente o termo Sanshou para designar este aspecto, posteriormente voltando a usar o termo Sanda.
Após a guerra da Coréia onde enfrentou diretamente as tropas americanas o governo chinês percebeu a necessidade de investir em pesquisa e desenvolvimento visando o melhor treinamento de seu exercito e incumbiu ao general Peng Dehuai o comando da pesquisa onde além de especialistas em Artes Marciais de toda China participaram médicos, educadores físicos, e demais pessoas relacionadas a atividades físicas e saúde. O novo sistema deveria observar 3 critérios:
- Simplicidade; - Combate direto; - Efetivo contra oponentes mais fortes.
Quase que paralelamente ao sanshou militar se desenvolveu o sanshou civil e competições clandestinas que acabavam com sérios danos aos competidores e aram quase que um vale tudo ao molde dos primeiros UFCs.
Como treinamento marcial o sanshou ao longo da história na china recebeu vários nomes como Xiangbo, Shoubo, Chaishou, Qiangshou, Jiji, and Daleitai.
Em 1979 o Comitê Chinês de Esportes Nacionais (CCEN)decidiu que o sanshou estaria ligado ao Wushu como esporte de competição. Devido ao espaço de tempo entre seu surgimento e a oficialização pelo governo o sanshou não tinha metodologia de treino, padronização de técnicas e principalmente regras. Até meados dos anos 80 o sanshou como esporte continuou a se desenvolver dentro de colégios e universidades ligadas à educação fisica, além de experimentação em campeonatos. Em 1982 o CCEN finalmente chegou a uma metodologia de treino e regras para competições que vêm sendo aos poucos modificadas. O primeiro ring era redondo! com 9m de diametro.

O Sanshou como esporte:


A prática contemporânea do Sanshou como esporte de combate teve seu ponto de partida como esporte contemporâneo em 1990, ano em que o comite organizador dos XI Jogos Asiáticos incluiu o Wushu como esporte oficial de competição. Nesse mesmo ano, se fundou a Federação Internacional de Wushu como organismo oficial encarregado de dirigir o crescimento e a difusão do esporte, determinando as diferentes disciplinas de competição e sua respectiva regulamentação.
O Sanshou está crescendo rapidamente em popularidade. Na atualidade, as competições são levadas em mais de 95 países no mundo inteiro. Recentemente tem se convertido também em um esporte profissional na América. O Sanshou se refere a luta livre a onde as regras estão prontas para simular com total precisão o combate atual e real. Existem hoje duas modalidades de competição para Sanshou, a amadora e a profissional (conhecida também como Sanda).

Sanshou Amador:


O uso obrigatorio de capacete (com grade para os iniciantes), coquilha para os homens (proteção para a genital), luvas (8oz para até 65 kg e 10oz para categorias acima de 70 kg) , protetor bucal e protetor toraxico (um tipo de "armadura" do mesmo material da luva). Na categoria Juvenil usa-se protetores para canela e peito do pé.
As categorias são divididas por peso e idade.
Por idade: Juvenil (15 a 17 anos) Adulto (18 a 35 anos)
Masculino: a) Categoria 48Kg ( <> 48Kg - <> 52Kg - <> 56Kg - <> 60Kg - <> 65Kg - <> 70Kg - <> 75Kg - <> 80Kg - <> 85Kg - <> 90Kg)
Feminino: a) Categoria 48Kg ( <> 48Kg - <> 52Kg - <> 56Kg - <> 60Kg - <> 65Kg - <> 70Kg)
Tempo limite de 2:00 minutos por round (1:30 minutos para a categoria Juvenil), descanso entre rounds de 1:00 minuto. Golpes nas genitais e nuca são inválidos, como joelhadas e cotoveladas. Para os golpes valerem pontos, ele deve fazer o adversário se mexer, não adianta apenas dar toques sem força. Vale chutar, socar derrubar o adversário e joga-lo fora do ringue.
O ringue oficial é um quadrilátero tablado enborrachado 8x8 e elevado. As imediações externas do ringue são cobertas por folhetos de tatame de borracha.
( Foto 7° Panamericano de Kung Fu Wushu Campinas SP 19/07/08)

A Dança do Leão


A Dança do Leão


História e origens:


Dança do leão (chinês: 舞獅; wushī) é uma forma de dança tradicional na cultura chinesa, na qual os participantes imitam os movimentos de um leão usando uma fantasia do animal.
O traje de leão pode ser manejado por um único dançarino, que salta e movimenta energicamente a cabeça, as mandíbulas e olhos da fantasia, ou por um par de dançarinos, que constituem as pernas dianteiras e traseiras do animal. O uso do par de dançarinos é visto em exibições de acróbatas chineses, com os dois dançarinos agindo em conjunto para movimentar o animal entre plataformas de várias alturas. A dança é tradicionalmente acompanhada por gongos, tambores e fogos-de-artifício, representando uma chuva de boa sorte.

O leão é tradicionalmente considerado como uma criatura guardiã em muitas culturas asiáticas. Ele é representado na tradição budista como a montaria de Manjusri. A dança do leão é realizada em muitas culturas asiáticas, incluindo China, Japão, Vietnã, Coréia, Taiwan e Tailândia, entre outros, cada país possuindo seu estilo e propósitos próprios.
A dança do leão é especialmente popular na cultura chinesa, com uma história que remonta a mais de mil anos. Existem vários estilos de dança do leão, mas a mais popular são a nortista e a sulista. A dança nortista se originou nas regiões setentrionais da China, onde era usada para o entretenimento da corte imperial. O leão nortista é geralmente de cor vermelha, laranja e amarela (às vezes com pelagem verde para a leoa), é de aparência desgrenhada e têm uma cabeça dourada. A dança nortista é muito acrobática e é realizada principalmente como entretenimento.
A dança do leão sulista é de natureza mais simbólica. Ela é realizada geralmente como uma cerimônia para exorcizar espíritos maléficos e para invocar sorte e felicidade. O leão sulista exibe uma vasta variedade de cores e tem uma cabeça peculiar com grandes olhos, um espelho na testa e um chifre único no centro da cabeça.

Estilos diferentes:

Os dois tipos mais populares de dança do leão na cultura chinesa, são a do leão nortista e do leão sulista.
Nortista:

No norte, os leões geralmente aparecem em pares. Leões nortistas geralmente têm pêlo longo e desgrenhado de cor laranja e amarela, com um arco vermelho ou verde na cabeça para indicar se se trata de um macho ou uma fêmea.
Durante uma apresentação, os leões nortistas se parecem com um cão pequinês ou Cão Fu, e seus movimentos são muito realistas. Acrobacias são muito comuns, com proezas como se equilibrar ou se balançar sobre uma bola gigante. Leões nortistas às vezes aparecem como uma família, com dois grandes leões "adultos" e um par de "leãozinhos". Ninghai, em Ningbo, é chamado de "Lar da Dança do Leão" (狮舞之乡) para a variedade nortista.

Sulista:

Guangdong é o lar da variedade sulista. Acredita-se que os leões chifrudos sulistas sejam Nians.
O estilo sulista pode ser subdividido em Fut San (Montanha do Buda), Hok San (Montanha do Grou), Fut-Hok (estilo menor que é quase um híbrido de Fut San e Hock San), Chow Gar (estilo menor praticado pelos participantes do estilo de Kung Fu da família Chow) e o Qing Shi (Leão Verde - popular entre os Fujianos/Hokkianos e Taiwaneses).
Fut San é o estilo que muitas escolas de Kung Fu adoptam. Ele requer movimentos poderosos e resistência quando em espera. O leão se torna a representação da escola de Kung Fu e somente os estudantes mais avançados podem realizá-lo.
O estilo Hok San é mais comumente conhecido como um estilo contemporâneo. O estilo contemporâneo Hok San combina uma cabeça de leão sulista com os movimentos do leão nortista. O estilo Hok San tenta reproduzir um aspecto e movimentos mais realistas, bem como performances acrobáticas. Sua cauda curta é também favorita entre as trupes que fazem o salto da baliza (jong).
Quando o leão que dança entra numa vila ou jurisdição, imagina-se que ele preste seus respeitos ao templo budista local, em seguida aos ancestrais e finalmente atravesse as ruas para trazer felicidade ao povo. Existem três tipos de leão: o leão dourado, representando vigor; o leão vermelho, representando coragem; e o leão verde, representando amizade.
Outros tipos de leão

Três outros tipos famosos de leão são identificados como: Liu Bei, Guan Gong (Kuan Kung) e Zhang Fei. Eles representam personagens históricos na China, registrados no clássico Romance dos Três Reinos:
O leão Liu Bei tem uma cara amarela, cauda multicolorida e pelagem branca. Ele é descrito como um sábio, usado pelos mestres das escolas de Kung Fu.
O leão Guan Gong tem uma cara e cauda vermelhas, e pelagem negra. Ele é descrito como o mais nobre dos leões, usado mais comumente em cerimônias.
O leão Zhang Fei tem cara, cauda e pelagem negras. Ele é descrito como o leão mais agressivo, usado por jovens mestres que desejam provar o próprio valor.

O Choy Chang:

Durante o Ano novo chinês, dançarinos do leão de escolas de artes marciais costumam visitar lojas para fazer o "choy chang" (採青, literalmente "colhendo verduras"). O comerciante amarra um envelope vermelho contendo dinheiro numa cabeça de alface e a pendura em frente a porta da frente. O leão aborda então a alface como um gato curioso, "engole" a alface e cospe fora as folhas, mas não o dinheiro. Supõe-se que a dança do leão traga boa sorte e fortuna para o negócio, e os dançarinos recebem o dinheiro como recompensa (além deste aspecto lúdico, o "choy chang" era encarado como um pedido de proteção formal; ao aceitar o presente, a escola de Kung Fu cujos alunos realizavam a dança, comprometia-se a vir em socorro do comerciante caso seu estabelecimento fosse assaltado). A tradição tornava-se assim, uma transação mútua.
Outros tipos de "verduras" (青) podem também ser usados para desafiar a trupe, quando, por exemplo, potes de abacaxis, toranjas, bananas, laranjas e pedaços de cana-de-açúcar são usados para criar pseudo-barreiras. A dança é também realizada em outras ocasiões importantes incluindo festivais chineses, cerimônias de inauguração de negócios e casamentos tradicionais.
Hoje em dia, os negócios não exigem muito dos dançarinos, e este é um dinheiro fácil para as escolas de artes marciais. Nos dias de antanho, a alface era erguida entre 4,5 e 6 metros de altura e somente artistas bem treinados em artes marciais podiam alcançar o dinheiro enquanto dançavam com uma pesada cabeça de leão. Estes eventos tornaram-se um desafio público. Uma grande quantia de dinheiro era oferecida, e a platéia esperava um bom espetáculo. Algumas vezes, se leões de várias escolas de artes marciais abordavam a alface ao mesmo tempo, imaginava-se que os leões deveriam lutar para decidir quem seria o vencedor.
Os leões tinham de lutar com refinados movimentos de leão, em vez dos estilos caóticos de luta de rua. A platéia então julgava a qualidade das escolas de artes marciais de acordo com o que os leões haviam lutado. Dado que a reputação das escolas estava em jogo, as lutas eram geralmente ferozes, mas civilizadas. O leão vencedor usaria então métodos criativos e habilidades de artes marciais para alcançar a recompensa pendente nas alturas. Alguns leões podiam dançar sobre pernas de pau e alguns podiam formar pirâmides humanas compostas por seus colegas de escola. Os dançarinos e as escolas ganhavam elogios e respeito, em acréscimo à grande recompensa financeira, quando se saíam bem.
Dança fora-da-lei:

Durante os anos 1950-60 em Hong Kong, pessoas que se juntavam às trupes de dança do leão tinham perfil de bandidos e haviam muitas brigas entre trupes de dançarinos e escolas de Kung Fu. Os pais tinham medo que seus filhos se juntassem a trupes de dança do leão por causa da associação "criminosa" de seus membros. Durante festivais e performances, quando trupes de dança do leão se encontravam, haviam brigas entre os grupos. Alguns truques acrobáticos eram utilizados para que o leão "lutasse" e nocauteasse outros leões rivais. Os participantes chegavam mesmo a esconder adagas em suas roupas e sapatos, as quais podiam ser usadas para ferir as pernas de outros dançarinos, ou mesmo colocavam um chifre de metal na testa do leão, o qual podia ser usado para golpear a cabeça de outros leões.
A violência chegou a tal ponto que o governo de Hong Kong teve de proibir completamente a dança do leão. Agora, como em muitos outros países, as trupes de dança do leão devem obter uma autorização das autoridades para poder realizar a dança. Embora ainda haja um certo grau de competitividade, as trupes tornaram-se bem menos violentas e agressivas. Hoje, a dança do leão é uma actividade muito mais voltada para os esportes e a recreação do que a representação de um determinado modo de vida.
Fonte:Wikipedia



Choy Lee Fut 蔡 李 佛

História:

O Choy Lee Fut é um dos sistemas tradicionais de Kung Fu em que o percurso histórico pode ser traçado até ás suas origens de forma precisa e documentada, através de registos históricos, conservados no seio da família Chan durante gerações. Diz a lenda, que Chan Heung, chegando à região de Guanzhou e vindo de terras estrangeiras por onde tinha viajado nos últimos anos, deparou com o desaparecimento do seu mestre, o monge Choy Fook, pelo que, como redenção pelo facto de não o poder ver ainda com vida, se dedicou a documentar por escrito todos os conhecimentos adquiridos, para que fossem transmitidos às gerações seguintes de forma precisa e segura.
Estes registos, Kuen Po, foram sendo transmitidos de geração em geração, até aos dias de hoje, pelo que consultando os mesmos e os registos das perfeituras, onde se pode ver documentação sobre as personalidades mais influentes, pode-se traçar com precisão, os aspectos mais determinantes da história do Choy Lee Fut, que corrobora a versão contada pelo mestre Chen Yon Fa, transmitidas a si pelo seu e pelo seu avô, Chan Yiu Chi, tendo este último escutado as mesmas palavras do seu avô, o fundador do sistema, Chan Heung.
Chan Heung começou a praticar as artes marciais pela mão do seu tio Chan Yuen Wu, que dando-se conta da sua habilidade natural, lhe ensinou tudo o que sabia. Ainda jovem e a pedido do seu tio, fundou uma escola em Sun Wei, uma cidade perto de perto de King Mui, a sua aldeia natal. Com o aumento da sua reputação de forma virtiginosa, num curto espaço de tempo reuniu um número considerável de alunos, tornando-se um dos mais conhecidos instructores de Kung fu da região.
Lee Yau Shan, praticante de sistemas de Shaolin, instalou-se na região e rapidamente chegou aos ouvidos de Chan Heung a habilidade impressionante daquele instructor. Chan Heung, querendo comprovar a veracidade do que se dizia, esperou-o à saída de um restaurante, e com um ataque traiçoeiro, procurou projectar Lee Yau Shan, que com uma contra técnica, não só anulou a ofensiva de Chan Heung, como o projectou. Apercebendo-se da superioridade do seu oponente, imediatamente lhe pediu desculpas pelo ataque traiçoeiro e também que o aceitasse como discípulo. Lee Yau Shan, sentindo a veracidade do pedido, aceitou-o como discípulo e em cinco anos ensinou-lhe tudo o que sabia.
Um dia ouviram falar de um monge recluso que vivia nas montanhas Law Fou, conhecido pela sua habilidade na medicina chinesa. O seu nome era Choy Fook, conhecido como um dos seis monges sobreviventes do mosteiro Shaolin de Fukien. Movidos pela curiosidade, Chan Heung e Lee Yau Shan decidiram visitar o monge, e depois de breves minutos com este, rapidamente se deram conta da superior habilidade do monge pelo que Chan Heung não quis perder a oportunidade de desenvolver as suas habilidades para um patamar superior, pelo que, pondo-se de joelhos, implorou a Choy Fook que o aceitasse como discípulo. Aceite discípulo, Chan Heung passaria a viver com o monge como estudante residente e a aprender com ele as artes de Shaolin. O trabalho árduo, a dedicação, a habilidade natural e a aprendizagem com um monge de conhecimentos superiores, levaram a que Chan Heung terminasse os seus estudos em 10 anos.
Concluído o seu ensino, Choy Fook ofereceu um banquete de despedida em homenagem ao seu discípulo, contando-lhe as suas origens e as origens do sistema que lhe ensinou, desenvolvido através de conhecimentos preservados por gerações intermináveis de monges guerreiros, e que ele deveria preservar também e transmitir às gerações futuras, para que estas tradições se mantivessem vivas e resistissem no tempo.
Chan Heung despediu-se de Choy Fook e regressou á sua aldeia natal, abrindo uma clínica para tratar e ajudar os doentes, que chamaria de Wing Sing Tong. Posteriormente, e a pedido dos anciões da família, abriria uma escola de Kung Fu no pátio ancestral e que denominaria de Hung Sing Gwoon. Seria então que condensaria os conhecimentos adquiridos e chamaria ao seu sistema de Choy Lee Fut, em homenagem aos seus mestres.
Chan Heung espalharia a sua arte por toda a parte, mas seria o seu filho mais velho, Chan Kon Pak quem receberia todos os conhecimentos, e que os transmitiria também a seu filho Chan Yiu Chi e este por sua vez ao seu filho Chan Wan Hon. Seria assim Chen Yon Fa a receber deste último, seu pai, os conhecimentos e manuscritos da família, tornando-se no actual guardião do sistema da 5ª geração da família Chan.

O Nascimento do Wushu:


Com o Kung Fu Shaolin firmemente plantado no solo da China, a arte diversificou-se em milhares de estilos familiares distintos. Durante a dinastia Sung (960-1279 d.C.), houve um grande aparecimento da sociedade de Kung Fu, nem todas promovendo boas ações. Sociedades tais como os Dragões Negros ou as Tríades eram muito fechadas - quase como famílias. Seus objetivos iniciais não são claros, mas com o poder vem a corrupção, e muitas sociedades de Kung Fu voltaram-se para o crime. Não era raro encontrar um mestre de Kung Fu de uma determinada escola (kwoon) ou província vagando de vilarejo em vilarejo, testando sua habilidade. Muitas vezes havia duelos até a morte. Além de lutas mortais, havia muitas demonstrações públicas para atrair novos praticantes. De acordo com a crônica da capital de Kaifeng, estes "shows de rua" eram muito populares.
Na dinastia Ming (1368-1644 d.C.), o Kung Fu era conhecido historicamente como chi yung e a arte floresceu, especialmente no Sul da China. Os estilos de Shaolin do Sul concentravam-se no templo Shaolin, na província Fukien. Wang Lang da província de Shang-tung criou o famoso estilo Louva-a-Deus (Tang Lang Quan (do Sul)), baseado nos movimentos do inseto de mesmo nome.
Os estilos da garça branca (Pak Hok) e do macaco (tsitsing pi qua) surgiram também. Talvez, o maior evento internacional durante este período tenha sido a introdução do Kung Fu no Japão. Ch'en Yuan-ping viajou ao Japão e introduziu o ch'in-na, uma forma de manipulação das juntas que acrescentou muito ao Jujutsu japonês. A maior documentação histórica desta era ocorreu quando Qi Jiguang, um conhecido general, compilou um livro tratando de 16 diferentes estilos de exercícios com as mãos desarmadas e umas 40 técnicas com lança e bastões de três partes. Ele criou também uma série completa de teorias e métodos de treinamento, dando assim grandes contribuições ao Kung Fu.
Quando os Manchus derrubaram a dinastia Ming em 1644, eles estabeleceram a dinastia Ch'ing, que caiu em 1911. O Kung Fu era chamado de pai ta, e 18 sistemas de armas para combate foram praticados. Sociedades secretas floresceram, especialmente a Sociedade da Lótus Branca, que era enfatizada no taoísmo. As sociedades da dinastia Ch'ing eram organizações que desejavam derrubar os Manchus ou afastar as influências européias ocidentais de seu país.
Muitas sociedades ensinavam a seus membros que suas técnicas de Kung Fu os tornariam invencíveis, mesmo para balas de armas de fogo. Isto provocou a Rebelião dos Boxers (chamados "boxers" pelos estrangeiros, porque os chineses enfrantavam as balas desarmados). Naturalmente, mãos desarmadas não enfrentam balas, e a rebelião foi esmagada. Isto trouxe desrespeito para a validade do Kung Fu. Durante esta era, os métodos de Kung Fu interior (nei-chia) começaram a se tornar populares.
A era comunista foi introduzida depois da queda dos Manchus. O Kung Fu agora passava a chamar-se wushu ou kwo su. Poderosos chefes guerreiros, como Feng Yu-hsiang, treinavam seus soldados com Kung Fu, desenvolvendo muito respeito à arte. Em 1949, a República Popular da China foi fundada, e muito tem sido feito desde então para promover o Kung Fu. Velhos métodos de luta voltaram a ser usados, e novos foram criados. Grupos de mestres foram formados para combinar e restabelecer vários métodos antigos, e o Wushu nasceu. Só no final da década de 1960 que o Kung Fu começou a ser ensinado para os ocidentais, e arte se torna cada vez mais popular em todo o mundo.
Nota: O registro histórico chinês menciona, pela primeira vez, o Kung Fu no ano de 2674 a.C., ou seja, 4.676 anos já se passaram desde esse registro até o ano de 2002.
Fonte: Livro Segredos do Kung Fu - escrito by Uniao Ton Lon Kung Fu
A lenda de Bodhidharma:

Durante as dinastias do Norte e do Sul, o principal regime começou a atacar a área central da China, e a ordem social foi rompida. Isto criou um crescente interesse no estudo religioso. Em conseqüência, muitas figuras religiosas entraram no país. Uma, em particular, foi Bodhidharma. Bodhidharma é uma figura obscura na história do budismo. As fontes mais fiéis para nosso conhecimento são Biographies of the High Priests (Biografias dos Altos Sacerdotes) do Sacerdote Taoh-suan (654 d.C.) e The Records of the Transmission of the Lamp (Os Registros da Transmissão da Fonte de Luz Espiritual) do Sacerdote Tao-yuan (1004 d.C.).
Apesar destas fontes aparentemente autênticas, os modernos estudiosos ou têm sido relutantes em aceitar qualquer versão da existência de Bodhidharma ou afirmam que Bodhidharma é uma lenda. Muitos historiadores budistas, contudo, denominaram Bodhidharma o 28º Patriarca do Budismo, dando provas de sua existência.
Bodhidharma (também conhecido como Ta Mo, Dharuma e Daruma Taishi) foi o terceiro filho do Rei Sugandha do sul da Índia, foi um membro dos kshatriya, ou casta guerreira, e passou sua infância em Conjeeveram (também Kanchipuram ou Kancheepuram), a pequena província budista do sul de Madras. Ele recebeu seu treinamento em meditação budista do mestre Prajnatara, que foi responsável pela mudança do nome do jovem discípulo de Bodhitara para Bodhidharma.
Bodhidharma foi um excelente discípulo e logo se sobressaiu entre os colegas. Na meia-idade já era considerado um mestre budista. Quando Prajnatara morreu, Bodhidharma zarpou para a China. Duas razões existem para isso: foi um desejo de seu mestre, Prajnatara, no leito de morte; ou Bodhidharma ouviu falar dos religiosos na China e se entristeceu com o declínio da verdadeira filosofia budista lá.
Os relatos das atividades de Bodhidharma na China variam consideravelmente. O livro Biografias dos Altos Sacerdotes, de Tao-hsuan, afirma que Bodhidharma chegou à China durante a dinastia Sung (420-479 d.C.) e as dinastias do Norte e do Sul (420-581 d.C.) e mais tarde viajou para o norte para o reino de Wei. Mas a data tradicional dada para a entrada de Bodhidharma, segundo o livro Biografias dos Altos Sacerdotes de Tao-hsuan que foi preciso em colocá-lo no templo Yung-ning em Lo-yang em 520 d.C. O livro ainda afirma posteriormente que um noviço budista chamado Seng-fu juntou-se aos seguidores de Bodhidharma, foi ordenado por Bodhidharma e então viajou para o sul da China, onde morreu com a idade de 61 anos. Um simples cálculo matemático nos diz que se Seng-fu estava de fato com 61 anos em 524 d.C. e possuíra a idade mínima aceitável para ordenação (20 anos), teria estado com 20 anos em 483 d.C., colocando o monge indiano na China mais cedo do que a data tradicional.
Uma variação no tema acima, encontrada em Os Resgistros da Transmissão da Fonte de Luz Espiritual, situa Bodhidharma em Cantão em 527 d.C. Após passar algum tempo lá, ele viajou para o norte, encontrando o Imperador Wu da dinastia Liang (502-557 d.C.) em Ching-ling (agora Nanquim). Quando Wu viu Bodhidharma (diz a lenda), ele lhe perguntou: "Eu trouxe as escrituras de seu país para o meu. Construí templos de grande beleza e fiz com que todos abaixo de mim aprendessem as grandes doutrinas budistas. Que recompensas eu receberei na próxima vida por isso?"Bodhidharma replicou: "Nenhuma!" (referindo-se à crença budista de que se você fizer alguma coisa esperando recompensa, pode esperar nada).O rei ficou tão furioso que baniu Bodhidharma do palácio. Bodhidharma novamente se dirigiu para o norte.
Viajou para a província Honan atravessando o rio Yuang-tse (diz a lenda) num bambu. Estabeleceu-se no monastério Shaolin (também chamado Sil-lum) no monte Shao-shih nas mostanhas Sung. Depois de chegar ao templo Shaolin, ele meditou em frente a uma parede por nove anos. Em sua meditação, fundou o budismo ch'an. A lenda diz que além de formar o ch'an, Bodhidharma também fundou o Kung Fu. Contudo, vimos que o Kung Fu já existia com muitos nomes diferentes por toda a história da China.
É mais provável que, sendo um mosteiro, Shaolin abrigasse muitos fugitivos da justiça, fugitivos que eram também guerreiros hábeis tornavam-se monges. Contudo, acredita-se que Bodhidharma tenha fundado uma série de exercícios que ajudavam a unir a mente e o corpo - exercícios que os monges guerreiros achavam benéficos a seu treinamento. Dois famosos clássicos, Sinew Change Classic e Washing Marrow são tidos como escritos por Bodhidharma ou seus seguidores baseados em seus ensinamentos. Destes clássicos vieram empregos da luta na forma do punho de pedra e das 18 mãos de lohan. Durante esta época, as artes marciais da China separaram-se em duas formas distintas: boxe interno (nei-chia) e boxe externo (wai-chia).
O estilo Shaolin de Kung Fu começou sua segunda transição durante a dinastia Yuan (1206-1333 d.C.), quando um monge chamado Chueh Yuan (também chamado Hung Yun Szu) aperfeiçoou o sistema para reunir 72 formas ou técnicas. Mais tarde, os 72 movimentos foram estudados por Pai Yu-feng e Li Cheng da província Shansi. Além dos métodos de Chueh Yuan, eles também estudaram as 18 mãos de lohan de Bodhidharma e fundiram os métodos para inventar 170 técnicas. Estes 170 métodos formaram a base do atual estilo Shaolin, um estilo que é muito complexo em seus métodos e diversificação. Pai Yu-feng ensinou que um homem tem cinco príncipios: força, ossos, espírito, tendões e ch'i (energia interior).
Seus 170 métodos continham a essência de cinco animais. Eram eles a serpente (she), o leopardo (pao), a garça azul (hao), o dragão (lung) e o tigre (hu). O tigre ensinou o método de força dos ossos; o dragão desenvolveu grande força do espírito; a garça azul ensinou o treinamento dos tendões; o estilo do leopardo representou extrema força e a serpente instruiu na capacidade de fluir o ch'i.
O sistema Shaolin desmembrou-se em cinco estilos distintos. Isto porque havia cinco templos Shaolin em vários distritos. O sistema original veio da província de Honan. Os outros sistemas foram chamados de acordo com as províncias em que se situavam os templos: O-mei, Wu-tang, Fukien e Kwang-tung. No sul (Cantão), as cinco variedades de Kung Fu Shaolin desenvolveram-se em sistemaas familiares: Hung, Lau, Choy, Li e Mo. Cada uma dessas cinco famílias desenvolveu suas próprias artes: Hung Gar: Da família Hung. Fundado por Hung Hei Gung. Usa a força externa e exercícios de tensão dinâminca e é excelente para desenvolver músculos e posturas fortes.
Lau Gar: Da família Lau. Fundado por Lau Soam Ngan, é um excelente sistema baseado em métodos manuais de médio alcance. Choy Gar: Da família Choy. Fundado por Choy Gau Yee, este não é o sistema Choy Li Fut que é tão popular hoje. Embora tenha algumas semelhanças, a marca registrada de Choy Gar são seus métodos de ataque a longo alcance. Li Gar: Da família Li. Fundado por Li Yao San, este sistema usa ataques de médio alcance com um murro poderoso de médio alcance. Mok Gar: Da família Mok (ou Mo). Fundado por Mok Ching Giu, este sistema tem socos de curto alcance e métodos de chute muito poderosos. O mais fascinante aspecto dos 170 métodos de Pai é seu fundamento nos movimentos dos animais, a saber, o tigre, o dragão, a garça azul, o leopardo e a serpente.
A garça azul (hao) é um estilo baseado em métodos e técnicas para fortalecer os tendões. Ele enfatiza o equilíbrio, o trabalho dos pés complexo e rápido, e um único movimento do punho chamado o bico da garça, no qual todos os dedos se unem na ponta para aplicar ações de bicar. A marca registrada do estilo garça azul é sua postura de uma perna e um punho muito alongado (chang ch'uan). Além destas técnicas, a garça aul também usa um punho curto (tuan ch'uan), técnicas de armadilha com o pulso e uma variedade de chutes. O estilo do leopardo (pao) desenvolve poder, velocidade e força, especialmente na parte inferior do corpo. O método do leopardo exibe golpes penetrantes e rápidos e uma atitude mental feroz.
A serpente (she) é talvez o aspecto mais interpretado dos cinco animais (wu-chia ch'uan), já que desenvolve a misteriosa energia intrínseca chamada ch'i. O estilo em si realça a elasticidade dos tendões e ligamentos, flexibilidade, movimentos diagonais defensivos e ofensivos e ataques velozes com os dedos. A mão da serpente usa às vezes dois dedos (o do meio e o indicador) ou os quatro dedos (que é o mais usado). O ataque com os dedos são aplicados nas partes moles do corpo do adversário, com movimentos circulares que açoitam, golpeiam de leve e saltam.
O dragão (lung), um animal mítico do folclore chinês, desenvolve autoconfiança. Movimentos técnicos são aplicados com fortes torções do corpo (como a torção e sacudidela violenta do corpo e rabo do dragão). O estilo do dragão também usa uma postura baixa e potente do cavalo e desenvolve espírito forte por meio da graça e flexibilidade. Muitos sistemas completos de Kung Fu se originaram dos movimentos do dragão. A maioria se destaca por seus movimentos fluentes, técnicas de mão abundantes (umas 12 danças do punho ou kuen), chutes fortes e rápidos, uma variedade de movimentos circulares de perna e umas 28 séries de armas.
O tigre (hu) desenvolve força por meio do uso de tensão dinâmica e usa esta força para resgatar poderosas técnicas de mão de posturas muito baixas. A técnica de mão básica que distingue este estilo dos outros é a garra do tigre. O estilo do tigre geralmente investe para cima. (Existem, contudo, exceções onde o estilo do tigre investe para fora horizontalmente.) Com o príncípio dos 170 métodos de Pai, o Kung Fu começou um novo período de crescimento. Contudo, o Kung Fu não começou no templo Shaolin, como muitos acreditam. Em vez disso, o Kung Fu começou a florescer através da influência de Shaolin. Por volta desta época, o Kung Fu passou a ser categorizado como estilos (métodos) do Norte e do Sul. O rio Yuangtze é tradicionalmente a demarcação entre o Norte (mandarim) e o Sul (cantonense).
Os sistemas do Norte destacam-se por suas técnicas de perna e seus padrões muito elegantes e extremamente trabalhados. Os métodos são ligeiros e graciosos. As técnicas do Norte adotaram esta especialização (de acordo com a lenda) por causa do terreno montanhoso que desenvolvia pernas fortes. Outros acreditam que o tempo inclemente forçava as pessoas a usar roupas pesadas. Isto exigia pernas fortes, já que a parte superior do corpo era difícil de se mover com rapidez.
Os estilos do Sul, por sua vez, não usam os métodos acrobáticos do Norte, e por causa disto muitos acham que são mais fáceis de se aprender. Os estilos do Sul usam posturas baixas, técnicas de mão potentes e chutes baixos rápidos. O povo cantonense, que pronuncia Kung Fu como Gung Fu, é mais baixo e mais atarracado e prefere usar métodos de mão. A lenda diz que como o Sul da China tem mais pântanos e água, o povo sulista remava mais, o que desenvolvia seus braços para técnicas de mão. Os praticantes do Gung Fu baseiam-se na velocidade, força, agilidade e resistência para executar seus ataques e defesas.
Os dois estilos mais singulares que se originaram do Kung Fu Shaolin são a palma de ferro (t'ieh chang) e a mão de veneno (dim mark). A palma de ferro refere-se ao método de condicionar externamente a mão para torná-la dura. A idéia é ter uma arma sempre disponível que consiga atacar com a força da morte. Os praticantes da palma de ferro usam ungüento de ervas chamado dit da jow. Usando isto, as mãos não demonstram sinais da capacidade mortífera. A mão de veneno refere-se à capacidade de atingir centros nervosos para causar um ferimento antagônico. Os praticantes da mão de veneno usam mais o ch'i (energia interior) do que condicionamento físico. Quando utilizada, há poucos sinais de ferimentos externos; contudo, a energia destrutiva danífica os órgãos internos.

A história do Kung Fu Wushu


A origem do Kung Fu:


Kung Fu é um sistema de luta desenvolvido na China Seus estilos surgiram das observações dos animais e através de outras metodologias, mas, no entanto, ninguém sabe ao certo quando surgiu. Cogita-se que o primeiro estilo de Wushu chegou à China através da Mongólia, conhecido como Shuai-Jiao, uma arte marcial desenvolvida pelo imperador amarelo há mais de quatro mil anos.
A história do Kung Fu é cheia de muitas lendas e ciladas que tornam qualquer tentativa séria de transmitir uma história compreensiva e puramente factual quase impossível. A principal razão para isto é que a história de uma pessoa é a lenda de outra. Há muito poucas provas documentadas para sustentar qualquer história de Kung Fu, já que a maioria delas passa de pai para filho, oralmente, sem qualquer documentação escrita para comprovar. Sendo assim, tentarei cortar muito dos mitos e apresentar um relato claro. Se um relato for puramente lenda, será registrado como tal aqui.

Os Primórdios:


Os primeiros registros fiéis de Kung Fu foram encontrados em ossos e cascos de tartarugas da Dinastia Shang (1766 - 1122 a.C.), embora acredita-se que o Kung Fu se desenvolveu muito antes disso. Machados de pedra, facas e flechas foram desenterrados do período da China em recentes escavações. Na verdade, Huang-Ti, o terceiro dos Três Imperadores de Outono (embora alguns o considerem o primeiro imperador da China) usava espadas de cobre para o combate.
Ch'uan fa, ou estilo do punho, como era chamado o Kung Fu no começo, tornou-se muito popular, quando os guerreiros de Chou da China Ocidental derrotaram o monarca da dinastia Shang em 1122 a.C. Durante o período Chou, uma espécie de luta romana chamada jiaoli foi listada como um esporte militar juntamente com arco e flecha e corrida de carruagens. O período de 770-481 a.C. foi chamado de Era da Primavera e do Outono. Durante esta época, o Kung Fu foi chamado de ch'uan yung, e a arte começou a florescer.
O período dos Estados Guerreiros (480-221 a.C.) produziu muitos estrategistas que enfatizavam a importância do Kung Fu na construção de um forte exército. Conforme mencionado por Sun-tzu (A Arte da Guerra), "Exercícios de luta romana e ataque fortalecem o físico do guerreiro". Dos notáveis mestres de Kung Fu em luta de espadas naquele tempo, muitos eram mulheres. Uma delas, Yuenu, foi convidada pelo Imperador Goujian, para expor suas teorias sobre a arte de esgrimista. O termo oficial para o Kung Fu naquela época era chi chi wu (os mesmos caracteres que os usados para o ju jutsu japonês).
As dinastias Ch'in (221-206 a.C.) e Han (206 a.C. - 220 d.C.) presenciaram o crescimento de artes marciais como o shoubo (luta romana) e o shuai-jiao, uma contenda na qual os participantes se defrontam com chifres de boi nas cabeças. O Kung Fu passou a se chamar chi ch'iao. Várias novas armas foram incorporadas à arte, e o taoísmo(Filosofia Tao) começou a influenciar a filosofia de luta. Na dinastia Jin (265-439 d.C.) e nas dinastias do Norte e do Sul (420-581 d.C.), um famoso médico e filósofo taoísta, integrou o Kung Fu com chi kung (execícios respiratórios, também chamados qigong). Suas teorias de poder interior e exterior ainda são respeitadas até hoje.
Ge Hong baseou-se muito na pesquisa de seu antecessor Hua T'o, que, durante o período do Três Reinos (220-265 d.C.), criou um método de movimento e respiração chamado wu chien shi. Este incluía a imitação dos movimentos do pássaro, veado, urso, macaco e tigre. Dizia-se que Hua T'o recebeu ajuda de um sacerdote taoísta chamado Chin Ch'ien. As obras de Hua T'o e Ge Hong foram um marco do desenvolvimento de exercícios de Kung Fu.
O seguinte grande desenvolvimento da história do Kung Fu também veio durante as dinastias do Norte e do Sul: a chegada de Bodhidharma.